domingo, 20 de maio de 2012
A cor da desilusão
"O último pedaço de chão ruiu e o último guardião do nosso templo foi embora. A esperança caiu, quebrou e ficou estilhaçada algures, num universo de promessas e de momentos que nem sabemos se foram reais ou apenas um sonho bom.
Sim! Eu também sei o que é pedir em vão. Pedir ao coração para esquecer. Pedir-lhe que pare, que atenue a dor com a altivez de um último suspiro. Pedir aos olhos que percam a cor, que percam o brilho, que percam a vida. E ver o desejo negado nas nossas mãos cruas, nos nossos dedos que já não se cruzam com fé para pedir desejos para o futuro, na alma que insiste que tudo passa com o tempo.
É esta a cor da desilusão. A desilusão crescente de se perder uma parte nós mesmos, de descobrir que não somos tão fortes nem tão corajosos como julgámos um dia. De descobrirmos que somos humanos e que podemos ser feridos mesmo que, aparentemente, estejamos bem.
Não dá para viver sem sentir. Sem sentir o medo, sem sentir a angústia, sem sentir a saudade de uma vida que se foi. E querer desistir é como querer travar a tempestade de um olhar que chora por amor. Está à distância do impossível, plantado nas inseguranças e nas parcas vivências que nos inundam a memória. Mas não podemos desligar o coração e não podemos pedir a nós mesmos para pararmos de sentir.
Seria bom. Um regresso às origens. Ser criança outra vez. Ir lá, onde os sonhos eram possíveis. Onde os amigos se zangavam connosco e nos perdoavam com a troca de um brinquedo no recreio. Onde nos diziam o que fazer e nós seguíamos, sem questionar se o caminho indicado era o mais certo. Era o tempo das ilusões e a época dos sonhos. Ainda assim, as feridas ficavam só na pele, os medos ficavam só no escuro do quarto e tudo era sarado com o abraço quente de alguém que jamais nos deixaria. Era o tempo da imaginação e ninguém sofria desilusões. Porque o amanhã era uma promessa. E as promessas eram simplesmente uma realidade que não imaginávamos que podia ser quebrada.
Olhem agora: tudo é feito de medo, mesmo a luz. Tudo é feito de angústia e de dor. Nenhum erro se corrige com simplicidade. Nenhuma cura chega com um abraço. Mesmo o melhor que vivemos traz a questão eterna e incontornável: "até quando?".
Talvez tenhamos perdido a esperança ou talvez ela nos tenha sido roubada. E, sem ela, resta o pedido mudo para que o coração pare, para não ferir mais a cada batimento, para parar o bater incessante de uma desilusão de fel.
Guardemos então o sonho. Seja o sonho qual for. Mesmo que ele esteja ancorado ao desejo de fechar os olhos e não sentir mais. Temos de procurar a criança que fomos antes das cores da desilusão nos roubarem a felicidade. Porque, mesmo assim, apesar de tudo o que se passou, a criança que fomos ainda tem fé. Ela ainda tem a certeza de que a esperança foi roubada pelo tempo numa brincadeira imprópria e que está escondida no futuro, à nossa espera. Nesse futuro que, independentemente das dores e das desilusões, temos de enfrentar de cabeça erguida!"
Marina Ferraz
Se houvesse um rosto para a desilusão esse rosto seria eu.....
Hoje queria adormecer e voltar a ser criança de novo. A criança que em tempos fui para puder voltar a acreditar nos sonhos, acreditar que todos os sonhos eram possíveis.
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Saudade.....
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
...
"Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa - como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está?
As pessoas têm de morrer; os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar Sim, mas como se faz? Como se esquece? Devagar. É preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas! É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência. O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou do coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguem antes de terminar de lembrá-lo. Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso aceitar, primeiro, aceitar.
É preciso aceitar esta mágoa esta moinha, que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo. É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados se tivessem apenas o peso que têm em si , isto é, se os livrássemos da carga que lhes damos, aceitando que não têm solução.
Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injecção. Nem remédio. Nem conhecimento certo da doença de que se padece. Muitas vezes só existe a agulha.
Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado.
O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar.
Miguel Esteves Cardoso, in 'Último Volume'
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
....
É tão duro perder aqueles amamos, é como se nos tirassem o chão...
De novo....
Foste como um PAI para mim, amavas-me do teu jeito.
Nunca me vou esquecer de ti....
E vou estar aqui, sempre, a olhar pela Menina dos teus olhos (e dos meus)
Um beijinho grande.
Até Sempre
***Onde quer que estejas olha por nós.....
terça-feira, 22 de março de 2011
"As pessoas deviam de poder dizer como se sentem, como se sentem na verdade"
Uma frase tão simples, mas que faz pensar.....
São tão poucas as vezes em que dizemos realmente tudo aquilo que queremos dizer....
E menos ainda as vezes em que tentamos fazê-lo.....
Ficamos eternamente presos a um silêncio que mais não faz do que criar rios sem pontes, entre nós e os outros....
***
Ando a tentar perceber porque me desiludido tanto.....
"Se no desiludimos a culpa não está nas coisas nem está nas outras pessoas. Se nos desiludimos a culpa é nossa, porque nos deixamos iludir"
Ora nem mais.... que se ilude, desilude-se....
domingo, 13 de março de 2011
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Às vezes, é preciso ficar em silêncio....
Ouvir o que há dentro de nós, a voz da alma, da razão e do coração....
Falar é, na grande parte das vezes, a resposta para todos os anseios, a solução de todos os problemas, a chave para seguir em frente....
Mas, e quando as palavras se esgotam? Ou quando simplesmente nos faltam as palavras? O silêncio é nosso melhor amigo, não nos critica, não nos condena...
Hoje escolho o silêncio..... porque já me cansei das palavras, vezes e vezes sem conta, porque estou cansada de ter que explicar essas mesmas palavras....
As palavras podem transformar em feridas para quem fala ou para quem ouve…
Às vezes o silêncio é tão grande que quase dá para ouvir as lágrimas escorrerem na face....
Mas eu escolho o silêncio....
sábado, 5 de março de 2011
Não desistas de mim...
Nos dias menos mau tento não desistir (menos mau, não é bom, mas é mesmo isso 'menos mau')...
quinta-feira, 3 de março de 2011
Sinto-me perdida nos sentimentos, nas pessoas, e há dias em que o vazio é tão grande....
que perco a vontade de tudo, fico irreconhecível ao ponto de eu própria não me reconhecer....
Sinto-me perdida porque acredito que pode ser melhor (podia ser melhor) porque quero muito as coisas ou as pessoas....
Sinto-me perdida porque dou muito de mim, e fico sem nada para mim.
Sinto-me perdida porque não há resposta, só luta e vazio, tristeza, e solidão....
Sinto-me perdida porque o bom não é para mim... vivo do sonho de ter o bom, e depois olho as minhas mãos e vejo o de costume.....
[Gostava de ser capaz de enfrentar o "touro" pelos cornos.... mas também os "toureiros" precisam de um empurrão, de ser salvos de uma investida do touro...
Sei que onde quer que estejas sabes da falta que me fazes, a saudade que deixaste....quem me dera que estivesses aqui.... os problemas existiriam na mesma, mas pelo menos tudo pareceria mais fácil...]
domingo, 27 de fevereiro de 2011
A vida em stand by
A vida em stand by....
Os dias não passam, os meses não passam....
Os sonhos fogem cada vez para mais longe.....
Assim como as amizades....
Parece que eu também tenho o "síndrome do coração incansável"...
E aqui fico, neste vazio, nesta solidão imensa, neste desânimo, neste desespero....
E não há Deus (QUE DEUS?), não há nenhuma alma que me ajude, a sair deste buraco negro que me afunda de dia para dia....
Todos os dias penso em desistir, em desistir de tudo....
Só ainda não fiz porque não quero desiludir nem magoar a pessoas mais importante da minha vida, a pessoa que mais se preocupa comigo....
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
sábado, 29 de janeiro de 2011
| M@resia |
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Aliás ... parece que tudo na minha vida está a acontecer exactamente ao mesmo tempo....como se todos os astros tivessem contra mim... como se estivessem a querer mostrar algo... e apenas eu ainda não estivesse a ver os sinais...
Não sei se é por estar triste....desiludida....cansada.... mas neste momento não consigo ver sinais alguns, não tenho planos para amanha ou depois...
...
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
se eu falar e a voz soar com a amanhã
eu sei...
a noite em mim
que já não quero estar aqui
só Deus sabe o que será
tudo o que acontece em mim
eu sei...
Se eu beber dessa luz que apaga
a noite em mim
e se um dia eu disser
que já não quero estar aqui
o que fazer, o que querer
que um dia o vá expressar
não há outro que conhece
tudo o que acontece em mim
A vida é como um precipício... ora estamos no alto, ora caímos num abrir e piscar de olhos...
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
...
Sinto que estou a perder todas as forças....
Sinto-me a ir abaixo....
E não posso ir abaixo agora..ainda não...
Se ao menos tu estivesse aqui, eu sei que tudo era mais fácil....
Tenho tantas saudades tuas, meu anjo da guarda...
Preciso que estejas aí... mais que nunca preciso que estejas aí...
...
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
domingo, 2 de janeiro de 2011
:(

Porque é que quando desejamos muito uma coisa, parece que o mundo inteiro conspira contra nós?
"Pedes-me um tempo
para balanço de vida
mas eu sou de letras
não me sei dividir
para mim um balanço
é mesmo balançar
balançar até dar balanço
e sair..
Pedes-me um sonho
para fazer de chão
mas eu desses não tenho
só dos de voar
e agarras a minha mão
com a tua mão
e prendes-me a dizer
que me estás a salvar
de quê?
de viver o perigo
de quê?
de rasgar o peito
com o quê?
de morrer
mas de que, paixão?
de que?
se o que mata mais é não ver
o que a noite esconde
e nao ter nem sentir
o vento ardente
a soprar o coração..
Pensa em mim
dentro das mãos fechadas
o que cabe é pouco
mas é tudo o que temos
esqueces que às vezes
quando falha o chão
o salto é sem rede
e tens de abrir as mãos
Pedes-me um sonho
para juntar os pedaços
mas nem tudo o que parte
se volta a colar
e agarras a minha mao
com a tua mao e prendes-me
e dizes-me para te salvar
de quê?
de viver o perigo
de quê?
de rasgar o peito
com o quê?
de morrer
mas de que paixão?
de que?
se o que mata mais é não ver
o que a noite esconde
e nao ter nem sentir
o vento ardente
a soprar o coração"
(Balançar - Mafalda Veiga)
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Desisto
Por isso para este novo ano, que espero que seja melhor que este que agora termina. E para isso tomei decisões, para que mais uma vez não leve "chapadas", mais uma vez não volte a desiludi-me , a sofrer....
Desisto da profissão que me tem desiludido....
É hora de parar de lutar, e fazer como os outros cruzar os braços e esperar que caiam as coisas, porque é isso que eu vejo a minha volta....
Tenho lutado por mim e pelos outros, e sou eu quem estou neste buraco tão profundo
quanto o buraco que o nosso país se encontra....
É cada um por si, nestas matérias não há amigos, não companheiros, só nós, sozinhos com o nosso destino....
domingo, 12 de dezembro de 2010
Sometimes I feel the fear of uncertainty stinging clear....















