“O passado não dá futuro”… Remoer coisas do passado, deixar-se prender por mágoas, ressentimentos, ausências, feridas que por vezes teimam em não fechar, ficar permanentemente a atormentar-se com os erros, viver-se obcecado com aquilo que nunca mais volta, não é definitivamente a melhor maneira de existir, de viver a vida. Ficar preso ao passado, é uma expressão eloquente, na medida em que define, à partida, as condições de prisioneiro, de alguém que vive amarrado a qualquer coisa que o deixa sem liberdade ou margem de manobra.
Ficar preso ao passado é isso mesmo, é ficar de mãos e pé atados, sem conseguir dar um passo em frente.
Arrumar o passado, não quer dizer esquecer e muito menos apagar ou fingir que nunca existiu. Pelo contrário, arrumar quer dizer isso mesmo, significa deitar mãos à obra, olhar para coisa, com “olhos de ver”, pegar-lhe com cuidado e atribui-lhe, primeiro uma importância, depois uma gaveta. È como um sótão que se arruma, mantendo intactas as coisas, mantendo intactas as peças, e até alguma poeira, que com o tempo se vai acumulando. Ninguém deve limpar um sótão, nem lava-lo com “baldes de lixívia”. O que fica de bom, as alegrias e os bons momentos devem ser preservados; e o lixo, as mágoas, os ressentimentos devem ser colocados no lixo, ñ querendo com isto dizer k nos tenha deixado indiferentes, porque também crescemos com isso… e ás vezes mais depressa, antes do tempo… Mas, por muito que se diga, que se ouça, se escreva, sabemos que não é assim tão fácil, principalmente no que diz respeito à ausência, à dor da ausência…. a ausência daqueles que amamos, e que partiram, assim do nada….aqueles que a vida ou Deus teimosamente os deixaram partir… E arrumar esse passado, que também é presente, não é fácil. È aqui que entra a saudade, neste palco que é a vida, e onde nós somos os actores ou marionetas?! È aqui que a saudade aperta, e uma dor inquebrável se torna mais forte.
Porém, o tempo cura, fecha as feridas, e vai “esquecendo”, embora muito lentamente o passado. Por isso, é necessário florescer das cinzas, pensar na vida como um puzzle, em que se encaixa cada peça, umas mais facilmente, outras com mais custo. Pensar na vida desta forma, pode ser uma forma mais positiva de viver o presente e enfrentar o futuro… viver cada dia…
Escrito há imenso tempo.. Não gosto da maneira como está, mas não estou com paciência para mudar nada...
A tentar...
Continua a doer...mas também ninguém disse que ia ser fácil... Encho-me de coragem e sigo em frente, fingindo ou não acreditar que um dia melhor virá.. Tento convencer-me que sou forte e hei-de ultrapassar todas as fases más... e esta é uma dessas fases... só espero não voltar a perder mais ninguém...porque não iria aguentar outra perda... Estou farta, cansada...Chega! chega de perder aqueles que mais amo...
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